O que Amazonas precisa para se tornar o estado mais inovador do Brasil?

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Manaus — Inovação é a chave para o crescimento de empresas e para o desenvolvimento do Brasil. Um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o Índice Fiec de Inovação, uma espécie de raio-x de como os estados se posicionam em questões determinantes para o processo inovador, mostra que o Amazonas não está em um dos primeiros mais inovadores, alcançando o 9° lugar. Em primeiro lugar está o estado de São Paulo.

Em inovação o Brasil também deixa muito a desejar nesse quesito. O país é o 64º colocado no ranking mundial de inovação, atrás de países em desenvolvimento como Chile (47º), México (56º) e Índia (57º).

O Amazonas possui em seu território o Polo Industrial de Manaus (PIM) o que em ‘tese’ justificaria que o Amazonas estivesse em dos cinco estados mais inovadores, porém com os constantes riscos ao modelo Zona Franca de Manaus, especialistas alertam que é preciso criar uma alternativa econômica para o estado.

Na lista dos estados mais inovadores segue São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco e só depois, o Amazonas.

Para Roberto Garcia, Diretor de Projetos e Desenvolvimento de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) e da Fundação Paulo Feitosa (FPF TECH), o Amazonas falha por não ter profissionais capacitados para manusear a tecnologia de maneira adequada.

“Temos grandes conhecimentos no setor de tecnologia, mas precisamos fazer um esforço junto às Universidades e centro de pesquisa para acelerar esse processo. Temos que capacitar pessoas para empreender para aproveitarmos aqueles que não vão conseguir recolocação no mercado”, comenta.

De acordo com o vice-presidente da Federação de Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o Amazonas só não está melhor ranqueado na classificação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) devido à falta de agentes inovadores na produtividade estadual.

“Estamos atrás em muitas coisas devido à falta de inventores de novas tecnologias para trazermos para o mercado, embora as próprias empresas enxerguem que o desenvolvimento no setor é fundamental para acompanharmos o os grandes países como Alemanha e China”, relata.

Para Roberto Garcia, Diretor de Projetos da FPF, este é um momento de ruptura importante no Amazonas para que as pessoas, empresas e políticos se mobilizem para o processo de mudança e que invistam em inovação.

“O processo de mudança em um país acontece quando se tem uma crise muito grande ou quando fica claro que se você não mudar vai ter um problema grande. No Amazonas, esse momento é agora, quando o governo nos deixa preocupados sobre o futuro da Zona Franca de Manaus do jeito que a conhecemos. Então o terreno é propício para a mudança e investimento em inovação e capacitação. O superintende da Suframa e o próprio governo do estado estão procurando entender as mudanças e desenvolver a região”, afirma Garcia.

No Brasil

O Brasil ainda está longe de figurar entre os líderes no ranking do índice Global de Inovação. Em 2018, o país alcançou a posição de número 64° na classificação que conta com 126 países do mundo.

O ranking é baseado em 80 indicadores que medem, entre outras coisas, a criação de aplicativos para mobile e gastos com publicações de cunho técnico e científico. O Brasil ocupou essa posição na lista por ter investido em pesquisa e desenvolvimento e por ter exportado e importado alta tecnologia.

Indústria do Futuro

A indústria 4.0 é a nova fronteira de produção industrial. Neste modelo, tecnologias ganham maior integração e há uma fusão entre os mundos físico e virtual, criando sistemas chamados ciberfísicos. A principal diferença em relação às demais revoluções industriais está na velocidade das transformações produzidas pela digitalização.

O economista Salomão Neves explica que as pessoas devem estar preparadas para se beneficiar e conviver com as tecnologias que surgirão com a indústria do futuro.

“Estamos falando do conhecimento e da melhoria dos processos com a Indústria 4.0. É preciso que os funcionários das indústrias tenham a expertise para lidar com o avanço, senão é difícil de se manter. Esse novo conceito surgiu para trazer melhoria. Cabe a todos atuar com responsabilidade usando tecnologia e inovação para benefício da humanidade e interesse público”, afirma o economista.

Amazonas tem maior faturamento em setor de tecnologia

O Amazonas é o estado com o maior faturamento médio nacional no setor de tecnologia, com um lucro médio estimado em R$4,27 bilhões por empresa do setor, segundo os dados divulgados em 2018 pela pesquisa da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Há apenas dois anos com iniciativas de manufatura 4.0, o Polo Digital de Manaus caminha a passos largos para promover ações que possam transformar a capital em uma cidade digital.

O ranking global de competitividade e de inovação mostra uma tendência onde países que mais investem em inovação são os considerados como sendo os mais competitivos. Embora o Brasil não esteja entre os líderes no ranking do índice Global de Inovação, o estado do Amazonas vem traçando estratégias para promover a sinergia das ações de empreendedorismo e inovação.

Roberto Garcia é Diretor de Projetos e Novos Negócios da FPF e do INDT | Foto: Lucyleny Rocha

Roberto Garcia destaca como pontos chaves que evidenciam a evolução do Amazonas na área de inovação o aumento de investimentos de recursos financeiros e a redução de burocracia entre as empresas e setor público.

“A Alemanha e Estados Unidos começaram a investir em inovação e tecnologia há 15 anos para estarem no patamar em que estão de manufatura 4.0. Já a China começou um trabalho há seis anos e, hoje, acreditamos que ela vai passar o mundo todo. Isso acontecerá porque eles têm foco, tem muitas pessoas fazendo pesquisa em pontos chaves. O Brasil efetivamente começou um trabalho de manufatura 4.0 há dois anos e não é um caminho fácil, porque dependemos de investimentos e políticas públicas que deem suporte para todas as necessidades”, afirma Roberto Garcia.

A classificação que avalia os aspectos e capacidades essenciais para o desenvolvimento dos estados brasileiros, mostra que Manaus é o maior polo nacional de tecnologia em relação ao faturamento médio estimado das indústrias, que chega a R$6,69 bilhões.

“Investir e capacitar seus funcionários”

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) enxergam a importância de se investir e capacitar seus funcionários para acompanhar a indústria 4.0 — conceito que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação aplicadas aos processos de manufatura.

“Temos que absorver e entrar nessa nova era de tecnologia. As empresas da Zona Franca capacitam a mão de obra para isso. Nós aparecemos bem posicionados no ranking porque as multinacionais instaladas aqui levam seus funcionários para serem capacitados fora do estado e, quando eles voltam, eles se tornam agentes multiplicadores de inovação”, afirma Nelson Azevedo.

Fonte: Portal Em Tempo

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